os. Dae-ron, para
os intendentes. Todder, para os patrulheiros. Jon, para os
intendentes.
Os intendentes? Por um momento Jon não conseguiu
acreditar no que ouvira. Mormont devia ter lido errado.
Começou a erguer-se, a abrir a boca, a dizer-lhes que tinha
havido um engano... e então viu que Sor Alliser o estudava,
com os olhos brilhantes como duas lascas de obsidiana, e
compreendeu.
O Velho Urso enrolou o papel.
- Seus chefes irão instruí-los quanto aos seus deveres. Que
todos os deuses os protejam, irmãos - o Senhor Comandante
concedeu-lhes uma meia reverência e se retirou. Sor Alliser foi
com ele, com um tênue sorriso no rosto. Jon nunca vira o
mestre de armas com um ar tão feliz.
- Patrulheiros, comigo - gritou Sor Jaremy Rykker depois de
eles partirem. Pyp não tirou os olhos de Jon enquanto se pôs
lentamente em pé. Tinha as orelhas vermelhas. Grenn, com
um largo sorriso, não parecia compreender que havia algo de
errado. Matt e Sapo juntaram-se a eles e saíram do septo
atrás de Sor Jaremy.
- Construtores - anunciou Othell Yarwyck, com seu queixo
em forma de lanterna, Halder e Albett saíram em seu rastro.
Jon olhou em volta com incredulidade nauseada. Os olhos
cegos de Meistre Aemon estavam erguidos para a luz que não
podia ver. O septão arrumava cristais no altar. Só Sam e
Daeron permaneciam nos bancos; um gordo, um cantor.,. e
ele.
O Senhor Intendente Bowen Marsh esfregou as mãos roliças.
- Samwell, vai prestar assistência a Meistre Aemon no viveiro
dos corvos e na biblioteca. Chett vai para os canis, ajudar
com os cães de caça. Deverá ter sua cela, para estar perto do
meistre noite e dia. Espero que tome conta dele bem. É muito
velho e muito precioso para nós. Daeron, dizem-me que
cantou à mesa de muitos grandes senhores e partilhou da sua
comida e bebida. Vamos enviá-lo para Atalaialeste. Pode ser
que o seu paladar seja útil a Cotter Pyke quando as galés
mercantes chegarem para fazer negócio. Estamos pagando
demais por carne salgada e peixe de salmoura, e a qualidade
do azeite que temos recebido tem sido tenebrosa. Apresente-se
a Bóreas quando chegar, ele o manterá ocupado entre navios.
Marsh virou seu sorriso para Jon.
- O Senhor Comandante Mormont requisitou-o como seu
intendente pessoal, Jon. Dormirá numa cela sob seus
aposentos, na torre do Senhor Comandante.
- E quais serão meus deveres? - perguntou Jon em tom
cortante. - Servirei as refeições do Senhor Comandante, o
ajudarei a prender suas roupas, irei buscar água quente para
seu banho?
- Com certeza - Marsh franziu as sobrancelhas perante o tom
de Jon. - E transmitirá suas mensagens, manterá um fogo
ardendo em seus aposentos, trocará seus lençóis e cobertores
todos os dias e fará tudo o que o Senhor Comandante lhe
ordenar,
- Toma-me por um criado?
- Não - disse Meistre Aemon do fundo do septo. Clydas o
ajudou a pôr-se em pé. - Toma-mos-o por um homem da
Patrulha da Noite... mas talvez nos tivéssemos enganado.
Tudo o quejón conseguiu fazer foi impedir-se de sair.
Esperariam que batesse leite para fazer manteiga e cosesse
gibões como uma moça para o resto de seus dias?
- Posso ir? - perguntou rigidamente.
- Como quiser - respondeu Bowen Marsh.
Daeron e Sam saíram com ele. Desceram em silêncio até o
pátio. Lá fora, Jon olhou a Muralha que brilhava ao sol, com
o gelo que derretia escorrendo pelo flanco numa centena de
estreitos dedos. A raiva de Jon era tanta que teria esmagado
tudo aquilo num instante, e o mundo que se danasse.
- Jon - disse Samwell Tarly num tom excitado. - Espere. Não
percebe o que eles estão fazendo?
Jon virou-se para ele, em fúria.
- Vejo a maldita mão de Sor Alliser, é o que vejo. Quis me
envergonhar, e conseguiu. Daeron deu-lhe um olhar
carrancudo.
- Ser intendente é bom para gente como você e eu, Sam, mas
não para Lorde Snow.
- Sou melhor espadachim e melhor cavaleiro que qualquer um
de vocês - exclamou Jon em resposta. - Não éjustol
-Justo? - disse Daeron em tom de escárnio. - A moça estava à
minha espera, nua como no dia em que nascera. Puxou-me
pela janela, e fala do que é justo? - e afastou-se.
- Não há vergonha em ser um intendente - disse Sam.
- Pensa que quero passar o resto da vida lavando as roupas de
baixo de um velho?
- O velho é o Senhor Comandante da Patrulha da Noite -
relembrou-lhe Sam. - Estará com ele dia e noite. Sim, servirá
seu vinho e verificará se sua roupa de cama está lavada, mas
também transportará suas cartas, o ajudará em reuniões,
servirá como seu escudeiro em batalha. Estará tão perto dele
como uma sombra. Saberá de tudo, fará parte de tudo... e o
Senhor Intendente disse que Mormont o pediu
pessoalmente. Quando eu era pequeno, meu pai
costumava insistir que o ajudasse na sala de audiências
sempre que as concedesse. Quando ia a Jardim de Cima
dobrar o joelho ao Lorde Tyrell, obrigava-me a ir também.
Mas mais tarde começou a levar Dickon e me deixar em casa,
e já não se importava se eu estava presente em suas
audiências, desde que Dickon lá estivesse. Queria seu
herdei ro a seu lado, não vê? Para o